PARA PENSAR
“A menos que abramos as portas de nossas casas uns aos outros, a realidade da Igreja que Jesus edificou como sendo uma família de irmãos e irmãs amorosos é apenas uma teoria”

"Desinstitucionalizados sim, desigrejados jamais, desviados nunca. Somos a igreja de Cristo “juntamente com todos os que, em toda parte, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso.” (1Co 1.2)" Por seu Reino!

Se alguém comemorou o Dia da Reforma Protestante exaltando a Lutero e sua obra e luta, mas condena os "desigrejados" de nossos dias, esse alguém não entendeu nada!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Cristãos genéricos, igrejas genéricas

Publicado por Hugo em 17/8/11 • Categoria: Odres Novos

De acordo com a reportagem da Folha, o número de evangélicos sem ligação com uma igreja institucional saltou de 4% para 14% em apenas seis anos.

A ”desinstitucionalização” da Igreja já é um fenômeno notado não somente pelos profetas de nossa geração, mas também pelo mundo secular. De acordo com a reportagem, uma das principais características desta forma de cristianismo é a prática do “crer sem pertencer” como resultado do “individualismo e da busca de autonomia diante de instituições que defendem valores extemporâneos e exigem elevados custos de seus filiados.” Surge o chamado crente “genérico”, o equivalente do católico não praticante brasileiro.

Na metade dos anos 90, quando me converti, o êxodo das igrejas históricas para as igrejas carismáticas era a tendência que causava maior preocupação entre alguns pastores e líderes. Ironicamente, menos de 20 anos depois, não somente a membresia das igrejas litúrgicas está em declínio, mas também o das igrejas “avivadas”. O pós-modernismo inaugura uma nova era em que as instituições eclesiásticas são vistas como meras prestadoras de serviços religiosos oferecidos para a conveniência de uma platéia de consumidores. O monstro da vez agora já não é a “carismania”, nem mesmo o G12. Ao que parece, o pós-igrejismo é o inimigo em comum de todas as vertentes do cristianismo.

Mas o êxodo das instituições eclesiásticas, por si só, está longe de ser o remédio para a Igreja contemporânea. Ao contrário do que alguns podem pensar, as estatísticas do IBGE não nos dão nenhuma razão para celebrar, mas somente confirmam uma tendência que há alguns anos tem sido denunciada neste blog e em outros veículos na internet – o de que as instituições eclesiásticas, em grande parte, se tornaram meros centros de doutrinação e/ou entretenimento religioso (que no jargão religioso se chama “louvor”) totalmente ineficientes em produzir comunidade. Entretanto, a crescente noção de que “não preciso de uma igreja para ser cristão” é uma idéia que necessitamos estar preparados para refutar veementemente.

A Igreja (o CORPO de Cristo, a COMUNIDADE divina) é o habitat natural do discípulo. “Cristão sem igreja” é sinônimo de peixe sem água. O pós-igrejismo emergente se trata de uma pseudo-reforma ventilada por alguns intelectuais que são, de certa forma, eficientes em apontar os efeitos daninos da institucionalização da Igreja, mas que não possuem uma alternativa à instituição melhor do que uma prática de fé individualista e descomprometida com o Reino. Muitos destes são meros “profetas da internet” que estão atirando pedras no telhado das basílicas evangélicas, mas que estão dormindo com a namorada e reinterpretando as Escrituras de acordo à sua própria conveniência.

Nós, os cristãos que estamos em busca de um cristianismo mais orgânico, devemos nos levantar contra este tipo de desinstitucionalização. Particularmente, entendo perfeitamente que vários elementos institucionais agregados ao cristianismo em um período pós-Roma não equivalem à Ekklesia em si. Mas sair das instituições para criar uma versão de cristianismo “avulso”, com seu sistema mestiço de crenças (conforme indica a reportagem), certamente não contribui para a tão necessitada Reforma em nossos dias, somente traz mais confusão sobre o tema.

Infelizmente, porém, tão grave quanto o fenômeno do pós-igrejismo é a cegueira de muitos que, em sua postura defensiva, falham em entender que este fenômeno não é simplesmente mais uma mera semente de joio lançada pelo inimigo da lavoura. Não se trata de somente mais um sinal da apostasia dos últimos tempos, mas é, em parte, o fruto natural de algumas sementes que nós mesmos temos há séculos semeado.

Soluções genéricas

Um medicamento genérico, por definição, é uma alternativa farmacêutica que contém a mesma substância ativa da medicação original sem, no entanto, ostentar a marca que continha a patente. Os cristãos pós-modernos estão menos preocupados com a marca (batista, presbiteriana, anglicana, metodista, assembleiana, etc) e mais interessado nos serviços que as comunidades genéricas têm a oferecer (boa pregação e louvor) – o que indica que é cada vez menor o interesse desta geração em uma determinada identidade institucional (fato apontado pela reportagem da Folha).

Definitivamente, a tendência é a de que as denominações percam mais e mais a “patente” de seus membros, o que não é de se espantar: por anos as instituições eclesiásticas trataram seus membros como se fossem meros números – crentes “genéricos” em meio a uma multidão sem nome e sem rosto. Nada mais natural, portanto, que uma geração de pintinhos de chocadeira (produzidos e alimentados em massa, sem a presença de pais espirituais) trate as instituições eclesiásticas como se elas fossem igualmente genéricas. Ou, por acaso, podemos esperar que as pessoas tenham noção de compromisso, discipulado e prestação de contas se nossa ênfase coletiva tem apontado na direção contrária?

Nossa heresia corporativa tem sido a de que, por séculos, focalizamos quase a totalidade de nossos recursos (tempo, dinheiro e pessoas) na produção de programas, preocupando-nos muito pouco com o aspecto comunitário da Igreja. Fizemos da boa homilética e do “bom louvor” nossos principais atrativos e o clímax espiritual da experiência cristã. Nossa principal motivação tem sido, por muito tempo, lotar nossos templos e contar cabeças aos domingos. Incutimos na mente das pessoas um entendimento de Igreja totalmente estranho àquilo que o Senhor Jesus e seus discípulos praticaram enquanto caminhava na terra. Mas, ironicamente, quando algumas pessoas finalmente captam e respondem à nossa “mensagem coletiva” da igreja como uma mera prestadora de serviços religiosos, chamamos tais pessoas de apóstatas sem, ao menos, reconhecer nossa responsabilidade em parte deste fenômeno…

Conclusão

O fenômeno do pós-igrejismo é um leão errante que, em parte, foi por muito tempo criado, alimentado e domesticado pela própria Igreja, mas que agora voltou para nos morder no calcanhar. E diante de tais fatos, devemos ponderar e entender que nem todos os cristão genéricos são necessariamente apóstatas. Muito pelo contrário, são fieis discípulos de uma igreja genérica.

A igreja denominacional e o pós-igrejismo emergente ironicamente possuem um mal em comum, que é o limbo espiritual do individualismo. É urgente o apelo do coração de Deus para que nossa geração redescubra e encarne o conceito de uma Comunidade Divina em que “todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor” ( Ef. 4:16).

© Pão & Vinho

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Um comentário:

  1. MUITO BOM! Eu acredito que Deus criou o homem e deixou o manual de instrução, a “BÍBLIA SAGRADA!” A bíblia é a divina revelação da palavra de Deus e não produtos enlatados, eu costumo dizer que: “As pessoas precisam parar de comer tudo o que dão. E começar a questionar! ” Alguém escuta alguma coisa de alguém, e saem falando, sem questionar, sem saber se é verdade ou não. As pessoas precisam se perguntar! Será que a minha crença esta de acordo com a lei de Deus? Será que a religião que eu nasci sempre me falou a verdade? Quando uma pessoa morre pra onde ela vai? Ela volta? A bíblia apóia o homossexualismo? Quem não herdara o reino de Deus? O que devo saber sobre idolatria, imagens e escultura? O que devo saber sobre o único batismo? Será que tem uma seqüência para salvação? A quem eu devo me confessar, quem pode me perdoar? Religião salva alguém? Essas e outras perguntas e respostas em:
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